Acabou pra você, que é um telespectador ingrato

SÓ EXISTEM DOIS TIPOS DE PÚBLICO

Quer combinação melhor para um programa de TV que audiência e faturamento altos? Pois é, foi a soma desses números que fez a emissora garantir mais duas edições da novela de realidade, para 2006 e 2007.

É pouco? Tá bom, tá bom: estão negociando mais uma para 2008 também.

O modelo já deu certo, não há como negar, e o receio, agora, é que se torne o sucessor das novelas com atores profissionais na abdução diária de milhões de cabeças passivas. Cabeças que se entregam à absorção de conceitos morais definidos por regras de consumo, que se acomodam ao assistir um resumo diário da vida que gostariam de estar levando. Esse gerúndio pode.

A nova novela, agora com atores não tão profissionais, mais próximos das pessoas com quem efetivamente convivemos, em poucos anos conseguiu dividir seu público em apenas duas categorias: os que gostam e os que dizem que não gostam.

Como nas novelas tradicionais, o entretenimento, objetivo alegado, serve de justificativa para incongruências temporais e relacionamentos impraticáveis na vida de verdade. O autor da novela pode preparar dois finais e escolher o mais conveniente para ir ao ar.

A diferença é que, na nova novela de realidade, a falta de transparência frustra o público que, pela interatividade oferecida, se sente na condição de eleitor.

Os telespectadores transferem para um show descompromissado seus anseios de democracia e valorização da opinião. Quando o resultado da apuração é diferente do levantado na boca-de-urna, o eleitor se decepciona e começa a desconfiar do sistema. Promete que nunca mais vai votar - até que o circo das próximas eleições conquiste sua atenção novamente.

Não importa se o vencedor é esse ou aquele. Em todos os aspectos, só há uma ganhadora. E ela pode tudo, até escolher o final mais conveniente para a novela. Quem acompanhou a história recente do país sabe do que ela é capaz.


Então acabou.

Este post mata George Aburrido, que pode ressuscitar nas próximas eleições. Tudo é possível.

 

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